Um chef bon vivant

Cidadão do mundo, Olivier conhece muitas culturas e procura retratá-las em seus pratos

Olivier 1

Nascido em Montfermeil, na França, Olivier Anquier desembarcou no Brasil em 1979, como um típico turista, para passar férias no Rio de Janeiro. O que deveria ser um descanso de 30 dias acabou se tornando paixão de uma vida. Foi por aqui que este francês fincou raízes e, através de sua criatividade, fez muitos brasileiros descobrirem os sabores do próprio país.

“Minha paixão pelo Brasil foi arrebatadora. Sempre gostei daqui e a receptividade do povo ajudou bastante no processo de adaptação”, destaca o chef.

Autointitulado um verdadeiro bon vivant, na melhor acepção da palavra, Olivier faz questão de desfrutar a vida em seu sentido mais amplo, o que inclui o trabalho. E, desde jovem, não costuma desperdiçar as oportunidades que ela lhe oferece. Foi assim que, em meados dos anos 80, se tornou um dos top 10 modelos masculinos de alta-costura do mundo.

Em 1989, com a morte de seu pai, François, resolveu que era chegada a hora de uma nova mudança em sua vida e decidiu atender à vocação pela cozinha. “E tinha de ser no Brasil”, recorda. Foi  no paraíso cearense de Jericoacoara que ergueu o “Aloha”, seu primeiro restaurante. “Sempre quis dar prazer às pessoas e nada melhor para isso do que cozinhando. Pensava em ser chef desde criança e saber que eu podia retribuir de alguma forma o que o país tinha me proporcionado, era muito gratificante.”

Em 1991, aprontou as malas novamente, desta vez para o Sul do país. Lá, mais precisamente em Florianópolis, nasceu o “Malaika”, que desde 1992 a 1994 tornou-se o sucesso da ilha.

Sempre disposto a tirar o máximo proveito das iguarias que o Brasil oferece para sua cozinha, Olivier continuou percorrendo todo o território nacional e se encantou com um prato típico da região norte, o Tacacá, originário do Pará, feito a base de Tucupi, caldo de mandioca, camarão seco, jambú e pimenta. “É algo particularmente brasileiro, misturado com um pouco de Índia, Europa...Enfim, único e surpreendente, que indica todo o tropicalismo e a diversidade cultural do Brasil”. Daí surgiu inspirações para outros pratos, como o Curry de Cordeiro ou o Confit de Coxa e Sobrecoxa de Frango com jiló.

Cidadão do mundo, Olivier conheceu muitos países e muitas culturas e sempre procurou retratá-las em seus pratos, sem deixar sua origem francesa para trás. Assim nasceu, por exemplo, o Carbonnade Flamande na Cerveja e o Guisado à Catalana.

Membro da terceira geração de uma família de padeiros, após três anos de trabalho intenso no restaurante, o chef percebeu que era chegada a hora de dar continuidade à tradição que começou com seu tio-avô. Olivier, então, foi para a Austrália fazer um estagio na boulangerie de sua mãe.

De volta ao Brasil, inaugurou a “Pain de France”, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. “Tive a ideia de abrir uma padaria com um conceito novo, já que não encontrava por aqui coisas diferentes neste segmento. Já que era difícil encontrar, resolvi fazer eu mesmo”, destaca.

Em 1997, quando seu nome já se consolidava como uma grife na panificação brasileira, Olivier firmou uma parceria com a rede de supermercados “Pão de Açúcar” e passou a distribuir seus produtos por varias lojas.

Foi nesta época também que iniciou sua carreira na TV. A convite da Rede Record, apresentou o programa “Forno, Fogão & Cia”. Já em 1998, durante a Copa da França, a Rede Globo o chamou para apresentar o quadro “O Francês”.

No entanto, foi com o programa “Diário do Olivier”, criado e produzido pelo próprio chef para o canal GNT, que ele ficou conhecido não só pelo seu talento com os pães, mas pela cultura geral que possui. A partir de viagens a bordo de seu Fusca 62, Olivier desvendava ingredientes regionais e encantava com a criação de pratos com a cara do Brasil.

Depois de terminada a temporada na GNT, voltou sua carreira novamente para algo que nunca havia sido deixado de lado: o empresário Olivier, com suas casas de pães. Desta vez, o passo era maior. Em 2003, abriu o bistrô e padaria “Anquier”, também no bairro de Higienópolis. Um sucesso que teve sua história interrompida dois anos mais tarde devido a desavenças com a administração do condomínio onde estava instalado.

Apaixonado por viagens e fotografia e com enorme conhecimento adquirido através de suas andanças mundo a fora Olivier resolveu contar suas historias em livros. O primeiro foi “Pães de França”, onde relata os segredos e receitas de sua grande paixão, os pães. Depois, veio “Padaria em Casa”, seguido por “Olivier em Portugal”, livro nascido da experiência do chef à frente de um programa de culinária na TV lusitana e, por último, o “10 anos do Diário de Olivier”, onde descreve suas histórias de viagens em uma década de programa, em busca dos encantos da culinária brasileira.

Em 2013, Olivier voltou ao GNT no comando de “Cozinheiros em ação” uma competição entre cozinheiros de todo o Brasil. Atualmente, esta no ar com a nova temporada do “Diário do Olivier”, toda quinta, às 20h30, revelando as belezas e a culinária dos países da América Latina.

Olivier 2

Confit de coxa e sobrecoxa de frango e jiló

 

Olivier 3

Guisado à Catalana

 

Olivier 4

Porco caramelizado à vietnamita

 

Edição atual

 

capa030

 

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