3 perguntas para Ruy Ohtake

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Um dos arquitetos mais respeitados no Brasil e no exterior, Ruy Ohtake é reconhecido por sua arquitetura de linhas orgânicas e curvas acentuadas

Autor de mais de 300 projetos, entre eles a embaixada brasileira em Tóquio, o Parque Ecológico do Tietê e o hotel Unique, em São Paulo, Ruy há algum tempo se aventura também a desenhar produtos. Em rápido bate-papo, ele fala sobre a carreira e o mais recente prêmio, o Red Dot Award pelo design de uma cuba de banheiro assinada para a Roca.

1. Com tantos anos de carreira, o senhor ainda segue surpreendendo e acumulando prêmios. A experiência traz mais ousadia?
Com o tempo, você amadurece em aspectos interessantes, como a intuição. Não sei racionalizar a intuição, pois isso eu aprendi trabalhando, vendo, observando, mas ela foi amadurecendo com o tempo. Você passa a captar mais coisas do que quando era recém-formado. Sem dúvida alguma, a intuição veio se abrindo paulatinamente, provocando mais formulações ousadas. Um exemplo é o projeto do Hotel Unique. A legislação urbana que incide na Av. Brigadeiro Luis Antonio, onde está localizado o prédio, é de 25 metros. Desenhei um arco invertido, como se desafiasse a gravidade. Nas extremidades do arco, os seis pisos dos apartamentos acompanham a curvatura da fachada, obtendo-se 24 apartamentos surpreendentes. Os corredores dos seis pavimentos tem a planta sinuosa, com curvaturas proporcionais à fachada e oito toques com as janelas circulares da fachada, proporcionando luz natural e visão da cidade aos hospedes. A construção traz a junção de elementos como o cobre das placas da fachada e o concreto, sem nenhuma interferência.

2. Por que cor e movimento são tão característicos de seus projetos?
Acho que é importante viver numa cidade que tenha vegetação, cores e formas diferenciadas. A cidade fica mais alegre, acolhedora e diversificada. Nasci, cresci, estudei e vivo num país que já teve muita cor, como em Ouro Preto, Paraty, Olinda, Salvador. A influência cultural europeia, no século passado, atemorizou a presença da cor na cidade. Creio que os espaços urbanos devam animar mais a vida contemporânea.

3. Qual é a sensação de receber um prêmio como o Red Dot Award? Fale sobre a criação dessa cuba para a Roca.
Fiquei extremamente contente em receber o prêmio “The best of The best”, onde a instituição alemã Red Dot premia trabalhos de design contemporâneo. A peça que elaborei é uma cuba de banheiro em três versões, com diferentes curvas e ondulações e quatro cores. Acredito que o reconhecimento por esse trabalho abre uma perspectiva para os arquitetos e designers brasileiros participarem de concursos internacionais. Quando desenhei a peça para a Roca meu intuito era valorizar a água e a nossa atitude em relação à água. Essa relação pode ser mais rica que um simples retângulo com um buraco no meio. Minha ideia foi tornar um objeto do dia a dia em algo mais bonito e interessante, com um jeito contemporâneo de mostrar isso.

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