Ambientes Restauradores

Você já ouviu falar neles?

 

Por Fernanda Olinto*, colunista

 

São chamados assim os ambientes que possibilitam a redução do estresse e restauração da capacidade de atenção nos indivíduos que os frequentam. Eles têm o poder de direcionar a atenção do espectador de forma involuntária, exigindo sempre pouco esforço mental, o que acarreta a uma restauração de forma suave, leve e imperceptível das funções cognitivas.

 

ambiente restaurador

 

O como isso é possível não tem nada de mágica. Esses ambientes são meticulosamente avaliados e pensados para conseguir atingir as pessoas quando em níveis altos de estresse e concentrar suas mentes para o relaxamento e, consequentemente, uma “cura” a um estado equilibrado e de paz de espírito.

 

O princípio desses ambientes parte de que todas as pessoas inevitavelmente esgotam seus recursos mentais durante a rotina do dia a dia. As funções cognitivas são exigidas em seus altos níveis de eficiência e o cotidiano cria muitas demandas e também elevado estresse. Sabendo disso, vive-se em uma tentativa frequente de reestabelecer o equilíbrio da mente e de restaurar o bem-estar próprio. Manter-se são, com baixos níveis de estresse e persistentemente tentando atenuar os recursos que foram sugados é também desgastante e pode ser prejudicial à saúde mental e física. A busca frequente pela manutenção da homeostase, o equilíbrio do corpo como um todo, é essencial e os princípios dos ambientes restauradores podem facilitar esse processo.

 

Portanto, esse momento de restauração do corpo e da mente ocorre de forma mais eficaz em alguns ambientes do que em outros. Ambientes podem ser pensados com estratégias para facilitar o processo e levar ao resultado restaurativo mais rápido, devido não apenas à remoção de demandas exigentes, mas também promovendo características ambientais dos espaços que trazem melhorias diretas. Os princípios dos ambientes restauradores devem ser procurados e aplicados principalmente quando o indivíduo possui sintomas associados ao estresse, como irritabilidade, ansiedade e distração.

 

espaço de relaxamento

 

A primeira propriedade dos ambientes restauradores é a de afastamento ou escape – distância física das atividades intensas e agravantes do estresse. O segundo item é fascinação, o estar em um ambiente que permita a troca de atenção, onde esta passa involuntariamente a uma nova situação – mais tranquila e de relaxamento. A extensão ou escopo também é fundamental, uma sensação de conexão com o lugar onde se está presente – sentir-se pertencente ao novo ambiente. E, por fim, a compatibilidade, uma adequação entre os desejos pessoais e o ambiente que nos rodeia – compatível com as necessidades do momento de vida de cada um.

 

Para que um ambiente restaurador atue, essas quatro propriedades são indispensáveis. Porém, ainda, elas podem ser intensificadas por outros elementos como beleza e espiritualidade. A beleza é a essência do elemento de fascinação em seu melhor uso; ela pode ser sutil e suave, mas primordial para uma restauração completa. E a espiritualidade é um aspecto importante, pois permite insigths sobre a vida e descobertas de dimensões pessoais que podem promover tranquilidade e maturidade em diferentes situações e problemas.

 

Os ambientes restauradores desencadeiam boas emoções e devem, para isso, abordar estímulos positivos para todos os sentidos. Englobando a preocupação com uma decoração pacífica, organizada e atraente, utilizando de obras de arte contemplativas e pontos focais de interesse para instigar a atenção e também permitir reflexões pessoais. Para uma restauração completa, a preocupação com o silêncio e com a alimentação saudável é importante, assim como o uso psicologia das cores também é relevante para chegarmos no resultado desejado.

 

ambiente restaurador

 

A utilização do conceito de biofilia nas áreas urbanas é um ótimo auxiliar no processo, pois a natureza por si só já é um ambiente extremamente restaurador. Ela contempla todas as propriedades de forma natural, porém não temos acesso a ela com tanta intensidade e frequência. Contudo, muitas vezes uma troca de ambiente já possui todos os elementos que se fazem necessários, são na maioria das vezes os retiros, as viagens e os spas por exemplo, que ajudam de forma duradoura e condizente com o processo restaurativo.

 

O conhecimento das características promotoras da restauração dos ambientes pode servir às pessoas individualmente, na busca por um estado de redução de estresse da vida corriqueira. Porém, serve também aos profissionais que trabalham em diversas áreas aplicarem, principalmente da área de arquitetura e design de interiores. Um projeto pode priorizar estes fatores e restaurar a paz e bem-estar individual.

 

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*Fernanda Olinto é designer de produto e de interiores e mestre em Arquitetura e Urbanismo


 

 

 

 

Fontes:

KAPLAN, Stephen. The restorative environment: nature and human experience. University of Michigan, 1992.

KAPLAN, Stephen et al. The monastery as a restorative environment. Journal of environmental psychology, 2005. Volume 25, Issue 2, Pages 175-188.

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