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O poder da verdade

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Na coluna deste mês, o prestigiado designer Pedro Franco faz uma reflexão sobre o basta ao fake e a importância da verdade, inclusive no design

Imagem: Adobe Stock Photos

Muitos me perguntam sobre as novas tendências. Tendência, na epistemologia da palavra, significa a inclinação das pessoas (ou da sociedade) para algo impactado por fatores sociais, econômicos e políticos.

Analisando tais aspectos, acredito que a maior de todas as tendências, hoje, seja a verdade. Na criação de um produto, no projeto para um cliente, na estratégia de uma empresa e, sobretudo, na vida.  O que importa é a VERDADE!

Vivemos um momento de basta ao “fake”, às falsas notícias, aos fatos criados, às inverdades de modo geral. Queremos a VERDADE!

No que tange à produção: o projeto de arquitetura “copy and paste”, o designer que cria guiado por modismos, a indústria que quer “imitar” algo, esses estão com os dias contados. Queremos VERDADES!

Já nos comportamentos sociais pudemos observar a queda dos mega influencers e a valorização de novos personagens digitais, que postam a vida como ela é. A vida de VERDADE.

Percebeu-se que os milhões de “followers” dos grandes players pesam menos do que algumas dúzias de milhares de seguidores leais e engajados dos micro influenciadores, mais procurados por falar “de verdade” com um público específico.

No marketing, as boas agências trocaram o tradicional “story-telling” pelo “true-telling”, isto é, procuram contar as verdadeiras histórias de cada empresa.

Nos projetos de arquitetura, ocorre a extinção (ou quase) de reprodução de estilos de “época”, dando lugar a projetos assinados com forte personalidade. Basta dar um giro pela cidade de São Paulo para observarmos a pluralidade do novo skyline que se forma.

No design de interiores, o público aprecia cada vez mais o projeto “sob medida”, uma vez que a casa, valorizada durante a quarentena, mostrou a importância de traduzir a nossa alma e essência.

Também o design de produto tem de revelar a sua verdade, aquilo que está além do belo.  Uma peça apenas bonita não tem valia se não trouxer na sua essência características como sustentabilidade, atemporalidade, enaltecimento da memória ou um trabalho social de fundo. Enfim, traduzir as belezas de verdade, em contraponto a plásticos altamente poluentes, pinturas nocivas, falta de respeito a uma cultura local.

Como sempre defendi, está cada vez mais claro que o excesso de fabricação – e de consumo – de produtos de baixa qualidade são prejudiciais ao nosso planeta.

Se tudo o que escrevi acima é, de fato, verdade absoluta? Posso dizer que ao menos traduz a Utopia da Verdade, a verdade que acarretará um mundo melhor. E viva Platão, que dizia: “A verdade deveria estar sempre sendo buscada.”

 

***

Pedro Franco é um dos mais prestigiados designers brasileiros, premiado por suas criações globais que valorizam as raízes e matérias-primas do Brasil. Desde 2013 participa oficialmente do Salone del Mobile, em Milão, e há três anos ocupa o principal pavilhão da feira, ao lado das marcas mais importantes do setor

 

+ PRA VOCÊ: Coluna do Luciano Zanardo

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