Jardins de vasos

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Viver conectado à natureza, se beneficiando do ar puro e da estética que só as plantas são capazes de oferecer, virou um dos maiores desejos das pessoas. Seja numa varanda compacta, num cantinho disponível no apartamento ou em grandes áreas de casas, dispor de um jardim de vasos, que evita a trabalheira com o plantio de terra, é uma solução muito recorrente quando se quer praticidade. Além disso, a mistura de materiais, cores e tamanhos das peças ainda ajuda a complementar a decoração com muito charme.

 
Paisagismo totalmente integrado

Na varanda deste apartamento, reformada pelo escritório In Tetto, a sensação de acolhimento está totalmente ligada à abundância de verde. “A proposta foi integrar o paisagismo da varanda com o bosque do condomínio, criando algo harmônico de forma que unisse os dois planos”, explica o paisagista Eduardo Luppi. Numa das extremidades do aparador, os três vasos de cerâmica Marajoara, que os moradores trouxeram da região norte do país, ajudaram a compor o ambiente. No móvel da esquerda, a gaveta virou uma prateleira de temperos, com alecrim, hortelã e pimenta, entre outros. “Entre o aparador e o guarda-corpo, usei a murta, perfeita para dar privacidade à varanda”, comenta Eduardo. No painel de madeira que esconde a máquina do ar-condicionado, o painel de fibra de coco forma um jardim vertical com bromélia fire ball e ripsalis bacífera.

Solução para espaços compactos
Depois que a arquiteta Flávia Campos incorporou a varanda à sala, a área de estar do pequeno apartamento se multiplicou e permitiu que os moradores recebessem mais visitas sem apertos. Sem a possibilidade de ter um gramado, a família adorou a solução da paisagista Marianne Ramos, que dispôs uma série de plantas em vasos de diferentes proporções. “Como o local recebe pouca luz do sol, usei alternativas de sombra, ótimas para serem usadas dentro de casa, como rafis, pacova, asplênio e costela de Adão”, explica Marianne. “O segredo é manter a umidade da terra sem encharcar ou deixar longos períodos sem água”, recomenda a especialista.

Colorida e natural
Com bastante luz, mas que não incide diretamente na sala, a paisagista Catê Poli tinha o desafio de preencher o espaço com espécies bem escolhidas. “O jardim de vasos foi a solução encontrada para oferecer um ambiente repleto de verde num local onde não é possível plantar diretamente no chão”, comenta a paisagista, que trabalhou com rhipsalis, jiboias e philodendron. Para espaços fechados, como este – ambientado no showroom da L’oeil, com os vasos e móveis da marca -, Catê costuma sugerir espécies de meia-sombra, já que se trata de um lugar com luz natural em menor frequência. “Em apartamentos, as boas pedidas são jiboia, zamioculca, samambaia, raphis, ripsalis e costela de Adão”, recomenda. Cada planta tem uma particularidade e precisa de uma quantidade de raiz e nutriente para poder se desenvolver. “O tamanho ideal do vaso é importante para que ela cresça de forma saudável”, alerta a especialista.

Com clima de praia
Por se tratar de um espaço sem área disponível para plantio, o paisagista Luciano Zanardo criou um imponente jardim de vasos na mostra D&D Garden Design. “O ambiente foi inspirado no azul do mar e na tropicalidade. Trata-se de uma praia informal e sofisticada, onde contemplei uma composição com vasos na cor celadon para representar o mar e a vegetação tropical exótica que exalta a beleza das matas litorâneas”, conta Luciano. Na composição de espécies, há ptycospermas elegans, conhecidas como palmeira-solitária, strelitzias augusta, alocacias portodora e monsteras, também chamadas de costelas de Adão. “Priorizei essas opções tropicais, próprias para nosso clima, que demandam poucos cuidados na manutenção e rega”, afirma o paisagista.

Cantinho do sossego e da leitura
Com metragem bem reduzida, este apartamento perdeu a varanda, estrategicamente integrada à área social, mas nem por isso deixou de ter uma área verde, que proporciona gostosos momentos de leitura e descanso à jovem moradora. “Sem uma parede disponível para criarmos um jardim vertical, o jeito foi apostar numa elegante seleção de vasos, que possibilitou trabalhar com alturas e formatos díspares”, conta Renato Andrade, sócio de Erika Mello na Andrade & Mello Arquitetura. “Escolhemos costela de Adão, que gosta de luz, mas não de sol direto, e tolera bem as baixas temperaturas, principalmente quando o ambiente dispõe de ar-condicionado”, conta. Há ainda ninho-de-passarinho, espécie que gosta de meia-sombra e é muito boa para cultivar em vasos, além da begônia, que é bem sensível, porém linda. “Ela gosta de luz difusa vai bem cultivada em vasos bem umedecidos”, finaliza o arquiteto.

Pequena floresta na varanda
Com plantas dispostas harmonicamente, uma varanda se torna muito mais gostosa para os encontros com a família e os amigos. Além, claro, de estimular bons momentos para ler um livro, ouvir música ou, simplesmente, divagar. Foi pensando nisso que os donos deste apartamento, que tem projeto de interiores assinado por Nildo José, encomendaram uma área verde à paisagista Bia Abreu. Para deixar que as espécies exóticas ficassem em evidência, ela elegeu vasos bem simples para cultivar strelitzias augusta, filodendro undulato e siriguela, entre outras. “Se a ideia é criar um verdadeiro urban jungle, vale reunir diferentes espécies, seja em piso, parede ou até penduradas formando uma pequena floresta. E não pode faltar uma poltrona por perto, criando um espaço de estar, a fim de aproximar esse contato com o verde”, comenta Bia.

Estar de pura contemplação
Integrada ao hall de entrada, esta sala estimula o relaxamento e o bem-estar. Com piso de madeira e um gostoso tapete, que convidam a andar descalço e sentar até no chão, o ambiente conta com paisagismo assinado por Juliana Freitas, totalmente integrado com a decoração. “Optei por vasos de diferentes medidas e modelos; misturei as cores aplicadas em vários acabamentos para quebrar a monotonia e criar uma composição diferente”, explica a profissional. Uma das plantas em destaque é a pleomele verde, que está no vaso maior. “Por ser um canto da sala, eu preenchi com uma espécie bem volumosa, além de ser um local de menor incidência de luz natural e esse tipo é perfeito para a situação”, observa Juliana. Próximo da janela, no vaso mais alto, está a yuuca, planta escultural que se aproveita da luminosidade. Há ainda asplênios, calathea e algumas bromélias de sombra, finalizando a composição. Todas essas opções precisam de pouca água e a rega não precisa ser muito frequente, o que ajuda no dia a dia do ambiente.

Em busca de mais privacidade
No piso superior desta residência, num condomínio próximo da cidade de São Paulo, o biombo de alumínio ajudou a isolar o espaço da sala de banho do casal de moradores. Ainda assim, faltava mais privacidade. “Como solução, propusemos o conjunto de vasos generosos com vegetação, no paisagismo de Marcelo Bellotto, para encobrir a sala de banho completamente”, explica Alice Martins, sócia de Flávio Butti no escritório AMFB Arquitetura. Os vasos com tons neutros de grafite harmonizam com o mobiliário outdoor da Saccaro. Nas duas peças maiores estão as jabuticabeiras e, ao fundo, há thumbergias erecta, capaz de criar uma massa de vegetação. Já os vasos na lateral esquerda contam com clusea folha larga, espécie que aceita facilmente a poda e fica com um lindo volume. “Priorizamos as plantas resistentes e de cuidados descomplicados, próprias para o clima paulistano”, conta Flávio.

Aposta no urban jungle
Sem a necessidade de criar canteiros, a arquiteta Mara Liz Ferrentini recorreu a um conjunto de vasos, cheios de charme e cor, para harmonizar a parte externa do apartamento, onde a sala se tornou continuação deste jardim. Aqui, há inúmeras plantas, começando pelas flores diversas. “Colocamos também muitas trepadeiras, a exemplo de jade, sapatinho de judia, sete léguas, além das frutíferas, como jabuticabeira, pitangueira e pé de limão siciliano”, conta Mara. Também há alecrim, salvia, manjerona, iris, primavera, pleomele varigata, jasmim dos atores, palmeira, manjericão, aspargo raposa, jasmim manga, causai fluminenses, grama amendoim, dracena arbórea, lavanda, gota de orvalho, azulzinha, pata de vaca branca e costela de Adão. “Ou seja, transformei num verdadeiro urban jungle”, brinca a profissional.

Dica do especialista #1
Na composição do jardim de vasos, vale levar em conta o pé-direito do ambiente para pensar na altura das plantas, além de considerar também a luminosidade do local, os tipos de vasos (barro, concreto ou outros materiais), o estilo do jardim e da vegetação desejados. “A harmonia está na altura das plantas e na dimensão dos vasos”, afirma Luciano Zanardo. “Há várias espécies boas para dentro de casa, como lírios da paz, antúrios, lanças de são jorge, palmeira rafia, pau-d’água e zamioculca”, recomenda o paisagista.

Dica do especialista #2
Os revestimentos, o tipo de mobiliário, a circulação e até a sobrecarga dos vasos após receberem as plantas devem ser levados em conta na composição de um jardim. “Não devemos esquecer ainda de eleger plantas com rega prática e atentar para a frutificação de algumas espécies que podem manchar os pisos”, fala Juliana Freitas. Para fora de casa, as possibilidades são infinitas. Para a área interna, a paisagista sugere dracenas variadas, pleomeles, samambaias, spatiphilos, antúrios, filodendros e raphis, entre outras. “Normalmente, elas exigem regas semanais e adubação trimestral, mas isso depende de cada espécie”, alerta Juliana.

Dica do especialista #3
Na hora de pensar no jardim de vasos de áreas externas, o fundamental é observar as condições do local antes de definir as espécies. “Gosto muito de usar frutíferas e flores em vasos”, conta Marianne Ramos. “Mas, na área externa, você deve ter mais atenção com as regas e a adubação a cada 15 dias, dependendo da espécie”, conclui.

Dica do especialista #4
Para definir quais as plantas ideais para cada ambiente, é preciso considerar vários fatores, como umidade e insolação. Mas, de forma geral, deve-se privilegiar tipos que se dão bem em diferentes situações, caso de samambaia, ripsalis, jiboia, dracena, pleomele verde, pacová, espada de São Jorge, lança de São Jorge e algumas suculentas. “É preciso pensar também que o banheiro, por exemplo, possui umidade maior, além de ser quente e é mais difícil para a planta se adaptar. Além disso, as plantas precisam ficar sempre próximas às janelas para que possam fazer a fotossíntese”, orienta Catê Poli.

Dica do especialista #5
Em ambientes com ar-condicionado e sem luz natural, a atenção deve ser redobrada para garantir que as plantas estejam bem. A frequência da rega varia conforme a temperatura. Se está mais quente, é preciso molhar mais – sempre de manhã bem cedo ou à noite. “Em caso de dúvida na rega, vale conferir como está a terra. Se estiver úmida, não precisa regar de novo. Se a planta estiver ficando amarela, talvez seja por falta de água”, exemplifica a arquiteta e paisagista Denise Barretto.

 

 só

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