Segredos revelados

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Produtores e set designers contam os truques de uma boa ambientação e o que fazer para deixar a casa com cara de ‘capa de revista’

Por Dan Brunini

ambiente com produção bem colorida
Ambiente produzido por Aldi Flosi para a marca Suvinil | Foto: Denilson Machado/MCA Estudio

 

Quem vê as imagens inspiradoras que ilustram as nossas reportagens nem sempre imagina os bastidores que envolvem a realização dos ensaios fotográficos de cada projeto de arquitetura e decoração. Não basta ter um ambiente bem pensado, com soluções diferenciadas, móveis confortáveis e revestimentos de primeira. Como a cereja no bolo, cabe à produção de objetos arrematar o projeto e deixar tudo incrivelmente lindo. “Ela humaniza, organiza e finaliza, literalmente, o ambiente, trazendo a atmosfera sugerida pelo especialista ou solicitada pelo cliente”, acredita o consultor de estilo Aldi Flosi. Para a produtora Mayra Navarro, o nome dessa tarefa também pode ser design de superfície. “Isso porque ela possui o importante papel de dar acabamentos aos móveis e marcenarias que o arquiteto especificou, com arrumações inovadoras que valorizem os objetos, paredes com arte e peças de conforto para a finalização dos ambientes”, acredita.

 

Sala de jantar com projeto da AB Design de Interiores, em que Aldi divide a autoria com Bruno Rangel | Foto: Denilson Machado/MCA Estudio

 



“O segredo para ter um ambiente com alma está no uso d
a poltrona preferida, do quadro que foi da avó, da luminária assinada ou garimpada na feirinha de antiguidades, do tecido trazido de viagem na mala, da xícara de chá ‘esquecida’ na mesa ou da manta desorganizada propositalmente na cama ou no sofá.”

Aldi Flosi

 

Projeto de Beatriz Quinelato com produção de Mayra Navarro | Foto: Adriano Escanhuela

 

Segundo Mayra, há dois tipos de produção, a fotográfica e aquela dedicada à conclusão do décor. A primeira é focada no arquiteto, nas fotos dos ambientes e tem como função gerar conteúdo de mídia para o profissional. “O cliente não costuma fazer parte dessa dinâmica, que é o briefing do arquiteto”, explica. Já a produção para finalizar o décor, normalmente envolve o cliente e a necessidade do dia a dia da família. “Em ambas as situações, considero importante montar um check-list para cada espaço e elencar tudo o que precisa ser produzido. Levar algumas opções de peças garante alternativas na hora da montagem”, completa.

 

Hall de entrada produzido por Mayra Navarro para a arquiteta Beatriz Quinelato | Foto: Adriano Escanhuela

 



“Sempre vale b
uscar ter uma casa com decoração atemporal, evitar modismos e investir em design nacional e internacional. Sugiro valorizar as tradições nacionais, a memória afetiva dos objetos, usar arte popular misturada ao design contemporâneo e deixar o verde invadir a casa. Pense em tornar a decoração algo genuinamente brasileiro.”

Mayra Navarro

 

Projeto de Rogerio Shinagawa produzido por Deborah Apsan | Foto: Evelyn Müller

 

Em geral, a produção é feita por profissionais com longa experiência no segmento, que se valem de seus olhares sensíveis e antenados na hora de garimpar cada peça que vai sobre uma mesa de centro, uma estante, uma mesa. Já no primeiro encontro com o produtor, o autor do projeto sinaliza o moodboard dos ambientes, o estilo e personalidade dos moradores e fala dos objetivos que se quer na produção. “A gente troca uma ideia do que está faltando, dos ângulos que serão feitos pelo fotógrafo e quais produtos têm chance de serem adquiridos pelos moradores”, conta a produtora Deborah Apsan. “Como o uso das imagens aumentou com as redes sociais, temos que registrar tudo o que for possível, desde destalhes, cantinhos e até áreas mais abertas. Hoje, a quantidade de fotos que a gente faz é muito maior”, continua.

 

A cozinha do apê projetado por Ana Cecilia Toscano e Flavia Lauzane ganha vida com a produção de Deborah Apsan

 



Para ter um bom registro é essencial ter um excelente fotógrafo, especializado em arquitetura. Sem isso, não adita ter um super produtor. Não gosto de fazer uma foto só para registro, então, valorizo sempre as histórias da casa, incluo bichos, crianças… a ideia não é alterar o projeto, mas evidenciar a alma da casa, valorizar a personalidade de quem mora.”

Deborah Apsan

 

Projeto de Caroline Gabriades e produção de Marjory Basano

 

Quanto mais humanizado o espaço, mais sensibilidade e emoção serão transmitidas para quem vê as fotografias ou visita o ambiente. Não podem faltar flores e plantas naturais, peças com valor afetivo, obras de arte e tudo que emocionem. “Jamais podem ficar de fora: boas almofadas, um tapete gostoso e atemporal, luminárias tanto de mesa como de chão, uma poltrona aconchegante, boas misturas de peças atuais com antigas e, o principal, respeitar a personalidade dos proprietários”, afirma a produtora Marjory Basano.

 

Marjory Basano trouxe ainda mais personalidade nessa ambientação para Adriana Matos | Foto: Marco Antonio

 



Não costumo chamar de produção de objetos, pois na maioria das vezes, além de entrar com muito mais objetos, existe a reorganização do espaço, das peças que já estão no local e dos itens eleitos para acrescentar. Portanto, seria correto batizar de Set Design. Cabe a ele saber misturar texturas e principalmente respeitar os objetos dos moradores.”

Marjory Basano

 

Se engana quem acha que basta eleger uma loja bacana, ir até lá e escolher os produtos que vão integrar o ambiente. O garimpo em vários endereços é, justamente, um dos grandes segredos para que a casa não pareça um showroom. Brincar com cores, tecidos naturais, considerando a entrada de luz, por exemplo, são alguns dos ingredientes necessários para a receita dar certo. “O primeiro passo é entender o coração, seja ele do arquiteto ou do cliente. Muitas vezes somos tomados por normas de estética da ditatura do que é chique ou não. O coração e os olhos nos falam coisas que a boca quer esconder e não nos contar”, explica o decorador e produtor Julio Cesar Dantès.

 

Projeto elaborado e produzido por Julio Dantès | Foto: Rogério Neves

 



“O maior segredo para um ambiente lindo é fazer com o coração e lembrar sempre que o dono do ambiente é o cliente que lhe contratou. Gosto que o lugar tenha cores, texturas, cheiros, luz e plantas vivas, bem como aquele ponto curioso que faz parar e pensar em cada canto do espaço. O ambiente perfeito é aquele que traz a decoração sensorial, permite a alma se conectar com os detalhes.

Julio Cesar Dantès

 

Ambientação de Juliana Corvacho para a marca Cerâmica Atlas | Foto: Luis Gomes

 

“Acredito que todos ambientes trazem uma beleza diferente, assim como as pessoas. Para ter alma, cada projeto deve ter a cara do morador, abrigar suas particularidades, preferências de cores, elementos e etc.”, fala a produtora Juliana Corvacho.

 



“O trabalho do produtor tem que acontecer em parceria com o autor do projeto. Adoro humanizar os projetos e produções com elementos naturais e objetos que trazem a memória da família ou da identidade do morador, como lembranças de viagens, coleções, fotos e etc. Plantas, tapetes e quadros nunca podem faltar.”

Juliana Corvacho

 

Banheiro também merece atenção. Com pequenos detalhes, Juliana Corvacho deu vida a um espaço majoritariamente branco

 

Unanimidade entre os especialistas ouvidos nesta reportagem, o segredo de ter um ambiente lindo e confortável está em torná-lo o mais verdadeiro e funcional, próximo do uso e do dia a dia da família. “Ele deve ter elementos amorosos, poéticos, naturais, particulares, que contem histórias, valorizem a personalidade do dono, do ambiente, resultando numa atmosfera aconchegante e adequada, um leve perfume, uma lembrança, um conceito e intenção para tudo aquilo”, enumera Aldi Flosi.

 

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